quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Quem canta seus males espanta!


O canto coral proporciona a convivência entre os integrantes e traz muitos benefícios para a saúde. Através dos exercícios vocais, muitas pessoas conseguem diminuir ou até mesmo abandonar o uso do fumo e do álcool. Atualmente, empresas públicas e privadas têm considerado esses e outros pontos positivos do canto coral, incentivando a formação de grandes grupos. No coral, todo o trabalho é comunitário. Não existem estrelas ou cargos, e sim, vozes que se complementam. Basta fazer uma verificação vocal e participar da rotina de ensaios, No Brasil, a entidade máxima do canto coral é a Confederação Brasileira de Coros, que tem como vice-presidente para a região nordeste o maestro Antônio Sérgio Teles das Chagas, que dirige o Grupo Vocal Vivace, em Aracaju, e os corais da Petrobrás, entre outros, tendo participado de inúmeros festivais e encontros por todo o Brasil e no exterior. Com sua experiência, ele conta um pouco da história do canto coral no país e destaca os principais aspectos dessa atividade

Em corais, não existem destaques individuais. Todo o trabalho é feito em conjunto. Ao ingressar em um grupo, o primeiro passo é fazer a verificação vocal. Entre as mulheres, as classificações básicas são Sopranos, para as vozes agudas, e Contraltos, para as vozes graves. Entre os homens, as classificações são Tenores, para as vozes agudas, e Baixos, para as vozes graves.

Para Antônio Sérgio, além do aprendizado musical, o canto coral proporciona diversos benefícios para a saúde. A educação vocal ensina principalmente a controlar a respiração, o que é essencial para manter uma boa circulação sangüínea e, assim, aumentar a resistência física. Um resultado importante do trabalho respiratório é o abandono parcial ou total do fumo e do álcool pelos integrantes, já que ambos prejudicam os pulmões e os reflexos auditivos e visuais. A coordenação correta das cordas vocais permite ainda manter saudáveis a laringe e a faringe. “O coral é sinônimo de democracia: todos se ajudam. É um trabalho comunitário que traz benefícios para os integrantes, para as empresas que os organizam e para a saúde de cada um”, conclui.

Artigo retirado da página http://www.pr4.ufrj.br/canto-coral.htm.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Como sairemos de Jerusalém?


Uma primorosa composição do poeta cristão Guilherme Keer. Não tenho certeza se, além de ter produzido a letra, tenha também feito a música. No meu ver, a música é modal (intencionalmente ou não), isto é, a nota principal é sol, mas a tonalidade da armadura de clave é ré maior. Este deslocamento do centro tonal dá a música a falta de resolução apropriada para destacar a pergunta filosófica que está no centro da mensagem: "Como sairemos de Jerusalém se o Espírito Santo não mover os nossos corações?". Um pouco de reflexão nos leva a entender a mensagem. O cântico nos mostra que é impossível à testemunha da ressurreição vencer os grandes desafios da obra missionário sem que o Espírito Santo de Deus seja o grande encorajador e consolador. O recurso modal também ajuda no esclarecimento musical do clamor, clamor e petição que parece ter voltado à produção musical com todos os "Como suspira a corça" que estão nas diversas melodias da atualidade.

Tomei liberdade e escrevi um arranjo para grupo vocal simples. Espero que muitos possam aproveitá-lo. Termina sem cadência final de propósito. Dá um efeito interessante. Persista neste efeito, maestro. Seja criativo sem ser incoveniente.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Música e Organização


As Escrituras afirmam que, para haver edificação, é necessário haver organização (1 Coríntios 14.26-40).

Dentro da Igreja nós temos diversos dons. Cada dom deve ser exercido para que a Igreja seja edificada. Se estes dons não forem exercidos com ordem, estes dons não irão edificar.

A ordem no texto consiste em tomar algumas medidas no planejamento do culto: deve haver um número reduzido de participantes. Nenhum participante pode exercer o seu dom ao mesmo tempo que o outro. Deve ser obedecida também uma hierarquia dentro da Igreja. As mulheres não devem usurpar a autoridade que foi delegada ao homem na Igreja nem usurpar esta autoridade no lar. Este princípio de obediência a autoridade se aplica da ovelha ao pastor, do membro ao dirigente do culto, da esposa ao marido, dos filhos aos pais, cada relação de autoridade a sua maneira, devendo se dinamizar de acordo com os padrões bíblicos. A maior de todas as submissões dentro da Igreja deve ser às Escrituras, àquilo que Deus revelou aos apóstolos e profetas, que devemos seguir, já que a Palavra se originou em Deus e não em nós.

Nós vivemos na cultura do jeitinho e do improviso e queremos transferir este improviso ao culto. Não queremos atender a horário, a planejamento, a autoridade; queremos que tudo seja feito sem muita regra, para que a possamos quebrar estas regras.

Se nós culturalmente somos assim, a Palavra de Deus deixa claro que Deus não é assim. Deus é Deus de ordem e paz. Deus criou todas as coisas com ordem de tempo, de lugar, de autoridade e de espaço. Nós devemos conformar o nosso culto ao caráter de Deus e não conformar o culto ao nosso caráter.

Como tem sido organizada a música de nossa Igreja? Será que temos pessoas responsáveis dotadas por Deus para liderar o louvor? Será que estamos dispostos a obedecer àquelas autoridades do louvor constituídas por nossas e Igrejas e assim, por Deus? Escolhemos as músicas dos nossos cultos com antecedência? Cumprimos aquela ordem estabelecida? Ficamos sempre a repetir as mesmas músicas ou escolhemos músicas que ninguém conhece?

A música deve edificar a Igreja. A música só irá edificar a Igreja se cumprir os requisitos do amor fraternal, da clareza na comunicação, do equilíbrio interior, do evangelismo aos perdidos e da ordem na programação.

Penso que a maior carência que temos nas Igrejas evangélicas hoje é de uma música edificante, uma música que nos leve a um amadurecimento espiritual, uma música que tenha rico conteúdo da Palavra de Deus, colocado de modo belo, objetivo e acessível a nossa cultura. A preocupação da maioria dos compositores evangélicos não tem sido produzir uma música de qualidade, mas uma música que faça sucesso, que dê retorno financeiro e que faça surgir mais uma celebridade gospel no meio de uma clientela específica.

A música dos nossos cultos não deve se moldar a padrões tão mundanos. A música dos nossos cultos deve trazer edificação para nossas vidas e não diversão para o povo. A música dos nossos cultos deve explicar com clareza o que a Palavra de Deus nos diz e não somente ter dois versos que podem ser aprendidos rapidamente para rapidamente serem descartados pelo próximo sucesso das rádios evangélicas.

Fico muito triste com irmãos que chegam para mim perguntando se eu conheço este ou aquele grupo novo de música evangélica. A idéia por trás desta pergunta é: “vamos usar esta música, pastor; todos a estão cantando; ela é muito bonita; por que precisamos ser tão fechados na música que usamos em nossos cultos?”. Pego o CD, procuro avaliar a letra e a música. Noto muitas vezes que aquele grupo tem uma teologia fraca, tem forte associação com falsos profetas e que tem um estilo de culto sem ordem e sem decência que é bem demonstrado em seus DVDs.

Fico me perguntando: “O que está acontecendo com a consciência evangélica? O que aconteceu com os autores de cânticos que produziam tanta música edificante no passado?”. Penso que o que está acontecendo é um vertiginoso processo de secularização que gerará Igrejas mortas como a Igreja Romana em seu namoro com o mundo. O principal meio de secularização da Igreja Evangélica brasileira é a música.

Nós não precisamos nos dobrar a isso. Não precisamos pegar este trem da História. Podemos ser aqueles que marcarão um rastro de sangue de fiéis, que pagarão o preço por uma adoração autêntica, e que continuarão em adoração verdadeira no Tabernáculo Celestial.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

A música e o evangelismo


A música que edifica cumpre o requisito do evangelismo dos perdidos (1 Coríntios 14.20-25).
Paulo começa sua consideração do evangelismo dentro do culto com uma chamada ao juízo, à sensatez. Ele diz que devemos ser inocentes para o mal, mas homens maduros para o critério.
Paulo também sustenta que o dom de línguas não era um sinal para os crentes e, sim, para os descrentes. O dom de línguas tinha o propósito de evangelizar.Quando um missionário não conhecia a língua que um povo não evangelizado falava, Deus poderia dotar este missionário de uma capacidade especial para pregar o evangelho àquele povo na língua daquele povo.Isto aconteceu no dia de Pentecostes.O dom de línguas era um sinal para a nação de Israel de que Deus iria derramar a sua graça nos gentios, fazendo com que o povo de Israel ficasse em ciúmes diante da graça derramada na vida dos outros povos.
Paulo deixa claro que nossos cultos devem ser organizados de tal maneira que os descrentes possam ali entender o evangelho, ser alvo da graça de Deus e se curvar diante do Deus revelado no evangelho em adoração.
Os nossos cultos não podem escandalizar os descrentes nem serem tão diferentes do normal que o descrente não tenha condições de entender o que está acontecendo ali.
Os nossos cultos não podem também se conformar aos padrões contrários à Palavra de Deus. O descrente deve ser levado à adoração e não poderá ser levado se curvar diante do Deus verdadeiro sem o verdadeiro evangelho pregado pela exposição da Palavra de Deus.
Conheço uma Igreja evangélica que caiu nesta área. A Igreja usava o som muito alto nos cultos que incomodava os vizinhos. Um vizinho queria ouvir o seu próprio som enquanto estava tomando banho e colocou o volume do seu som no máximo. Os irmãos da Igreja vieram pedir que ele baixasse o som. Ele saiu de toalha baixou o som de casa, foi ao templo, baixou o som do Templo, ainda de toalha e voltou para casa. Lembrei-me deste acontecido através do blog do meu amigo Avelar Júnior.
Este é um exemplo grotesco de como nós podemos ofender alguém que precisa ouvir as Palavras de salvação, mas fecha as portas para evangelho por conta do nosso mau testemunho.
Lembro de como uma amiga na escola me disse não achar que aquela música evangélica que utilizava o rock era apropriada para adoração a Deus. Pensei na hora em que ela me disse isso como ela tinha mais bom senso sem ter ainda abraçado o evangelho do que muitos de meus irmãos na Igreja que escutavam sem nenhum remorso bandas que misturavam o santo com o profano, o puro com o impuro.

sábado, 22 de agosto de 2009

Música e Equilíbrio Interior



Para que um dom seja edificante, ele deve ser exercido com equilíbrio entre razão e emoção, intelecto e espiritualidade, vontade e entusiasmo.

Quando uma pessoa exerce seu dom sem conseguir pensar sobre o que está fazendo, tomado por uma força que não pode controlar, sem nenhuma razão, ela não está exercendo seu dom de modo edificante. Por outro lado, quando alguém exerce seu dom de modo frio, calculista, sem nenhuma empolgação no exercício de seu dom, ela também não está exercendo seu dom de maneira que os irmãos da Igreja sejam edificados.

Alguns fatores destacados pelo apóstolo Paulo ajudam a exercermos o nosso dom com equilíbrio. O primeiro é que a pessoa deve entender o que está fazendo. Quem fala em línguas deve orar para que saiba interpretar. No exercício do dom, a mente deve estar envolvida, o intelecto deve estar ativo, não somente as fortes emoções que acompanham aqueles que têm grande fervor e animação em servir a Deus. Simplicidade na transmissão da mensagem ajuda também a manter o equilíbrio, fazendo com que a edificação se concretize.

Estes fatores devem estar presentes na música para que haja equilíbrio interior e edificação na Igreja. Os músicos devem dominar a linguagem musical de modo bem consciente para que possam fazer tudo com racionalidade e não somente dominados pela emoção. As pessoas que cantam não devem ser tomadas pelas emoções de tal modo que não tenham condições de discernir o que está acontecendo com seus corpos e suas mentes durante a adoração. Elas devem manter ativas suas faculdades mentais. Uma música que nos transporta a um estado emocional descontrolado não deve ser utilizada na Igreja nem descontrole emocional deve ser ligado diretamente à ação do Espírito Santo.

Tenho notado que grupos evangélicos têm usado certos recursos musicais para provocar nas pessoas fortes emoções. Isto não é correto. A música não deve ser usada com a intenção de manipular as pessoas.

Além disso, a música na Igreja deve ser mais simples do que complicada. Deve ter uma mensagem clara. Deve ter conteúdo bíblico, mas este conteúdo deve ser colocado de modo acessível.

Tenho um amigo que gostava de enfeitar bastante na improvisação dos hinos. Ele era muito criativo, mas fazia tantos rodeios harmônicos que fazia com que a congregação perdesse a noção de espaço entre as frases musicais. Um músico cristão deveria aprender a sustentar com clareza os acordes, a manter a pulsação e a usar de criatividade apenas em momentos bem precisos.
A música na Igreja deve edificar e cumprirá este papel quando o equilíbrio emocional for atendido com amor fraterno e entendimento.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Música, comunicação e edificação


Quando penso em comunicação, penso naquele personagem do humor bem conhecido: o Patropi. Patropi era estudante de comunicação, mas não tinha capacidade de comunicar nenhuma idéia objetiva.
O texto de 1 Coríntios 14.6-12 deixa claro que, se na Igreja não houver comunicação, não pode haver edificação. Paulo usa o exemplo de instrumentos musicais inanimados para defender esta idéia. Ele sustenta que, se um instrumento musical não for tocado de modo bem definido, o ouvinte não reconhecerá que instrumento está sendo tocado. Igualmente, se a trombeta não der o toque bem claro no momento da batalha, o exército não saberá que manobra de guerra deve executar. O apóstolo está afirmando, portanto, que todos os sons têm condições de transmitir idéias objetivas e que esta capacidade de comunicação deve ser explorada na Igreja.
No texto, a tensão está entre falar em línguas sem intérprete e não ser entendido na Igreja por ninguém, e profetizar na língua do povo de modo que todos entendam. Paulo deixa claro que progredimos no exercício dos dons espirituais quando estes dons têm a capacidade de edificar. Os dons ganham capacidade de edificar quando comunicam. Por isso, Paulo defende ser melhor profetizar do que falar em outras línguas.
Certa vez, um pastor disse numa reunião de líderes: “Quem sabe o que você realmente não é você que falou, mas a pessoa que ouviu você falar. Se expresse de tal modo que os outros entendam o que você quer dizer”.
Pensando na música na Igreja, muitos evangélicos sustentam que a música é neutra. A música não tem capacidade de transmitir uma idéia moral por si só. De acordo com alguns, o que faz uma música apropriada para os cultos é a letra que esta música possui e não o seu estilo musical, seu formato, seus recursos artísticos e sua melodia. De acordo com muitos, se a letra for evangélica, não importa o ritmo, a harmonia, a associação cultural, não importa a performance, aquela música é cristã e adequada para o culto cristão.
Não é isto que afirma o apóstolo Paulo quanto aos sons que a criação possui. O apóstolo afirma: "Há, sem dúvida, muitos tipos de vozes no mundo; nenhum deles, contudo, sem sentido" (1 Coríntios 14.10). Penso que como J. S. Bach, quando musicou o Credo Apostólico, colocou toda tristeza e lamento no seu Crucifixos (clique para baixar e ouvir) e toda glória e vitória no seu Et Resurrexit (depois de ter ouvido o Crucifixus, clique para baixar e ouvir) da Missa em Si menor, BWV 232, referindo-se respectivamente à morte e ressurreição do Senhor, usando os recursos musicais que este grande compositor bem conhecia, de igual modo pode a música popular da atualidade transmitir sentimentos (alegria, tristeza, saudade e amor romântico) e, consequentemente, padrões morais (euforia, luxúria, ódio, mansidão e amor fraterno).
A música que edifica é a música cuja letra transmite a genuína verdade do evangelho acompanhada por uma melodia que não tenha sensualidade, um ritmo sem a agitação da loucura e uma harmonia bem equilibrada. Penso que a música que edifica é a música cujo intérprete em humildade sobe à plataforma para edificar seus irmãos através da mensagem musical e não para ser idoltrado, constituindo-se no centro das atenções, sendo acompanhado por uma legião de fãs. Noutras palavras, a música que edifica é a música que comunica a mensagem do evangelho na letra e na música, não havendo uma divergência de informações poéticas e musicais.
Se uma letra cristã é acompanhada por uma música inadequada, a música inadequada prevalece e a letra é ironizada, perdendo seu valor. Como é que as mães do nosso Brasil conseguem por suas crianças para dormir cantando-lhes "Boi da Cara Preta"? Acho que seria muito difícil uma criança dormir por uma ou por duas noites se a suavidade da voz, a melodia embala e simples, a harmonia objetiva e a estrutura uniforme da música não obscurecesse de tal forma a poesia, que algo tão amedrontador para uma criança, como um boi de cara preta, ficasse tão manso e agradável pela forma musical com que é apresentado. Posso concordar, nesse sentido, com a máxima: "o meio é a mensagem".
É fato que sempre haverá pessoas dizendo que foram edificadas por uma música evangélica que eu consideraria não comunicativa da verdade do evangelho. É fato também que a sensação de edificação que temos num culto ou show gospel talvez não seja a edificação que procede do Espírito Santo que nos conduz à maturidade e a uma identificação com o Senhor Jesus Cristo. O que define nosso procedimento no culto é a Palavra, antes das nossas sensações e da nossa experiência. A Palavra esclarece: "Vamos nos comunicar de modo claro e objetivo no culto a Deus."

quinta-feira, 23 de julho de 2009

O papel da música na edificação da Igreja


Nos editais de concursos públicos encontramos as exigências que a instituição impõe sobre aqueles que desejam exercer aquela função. Ultimamente, a Universidade Federal do Ceará publicou um edital para contratar professores e técnicos. Para vaga de professor de música, temos a exigência de ter um curso superior, um mestrado, uma residência no Cariri e ter feito estudos em música. É natural que para se exercer certo papel, uma função, a pessoa tenha que cumprir certos requisitos, sem a presença dos quais, não poderá exercer aquela função.
A música tem o papel de edificar a Igreja. Para que a música edifique, entretanto, ela precisa cumprir certos requisitos. Se a música não cumprir estes requisitos, ela não poderá edificar a Igreja, perdendo assim a sua razão de ser dentro da Igreja. O primeiro requisito que a música deve cumprir para edificar é o amor fraternal (1 Coríntios 14.1-5).
O texto de Coríntios começa com duas ordens. As ordens são seguir o amor e procurar com zelo os dons espirituais que promovem a edificação da Igreja. Uma ordem esta sujeita a outra. A ordem de procurar dons que edificam está subordinada a ordem de seguir o amor fraternal. As Escrituras estão dizendo que o dom espiritual não deve ser buscado ou até exercido para edificação própria, para o benefício daquele que está exercendo o dom, mas para o crescimento dos irmãos e para o crescimento da Igreja.
Dom espiritual é uma capacitação extraordinária dada pelo Espírito Santo de Deus, de modo soberano e gracioso, com o fim de fazer com que o dotado edifique seus irmãos no exercício de seu dom dentro da Igreja. A Igreja de Corinto, para que foi escrita esta passagem a princípio, era dotada de todos os dons espirituais, inclusive aqueles que não estão em vigor na Igreja hoje, como o de profecia e o de línguas. Apesar de ter todos os dons, a Igreja de Corinto não exercia esses dons de modo adequado. Eles procuravam aqueles dons menos importantes, preferindo os dons mais impressionantes como o dom de línguas. Eles exerciam os dons de modo egoísta, pensando que o dom devia edificar o que possuía, sem imaginar que o dom espiritual deve ser exercido para crescimento da Igreja e não para que alguém da Igreja seja honrado com o título de espiritual ou ser conhecido por ter dons tão marcantes.
O apóstolo deixa claro que os dons devem ser exercidos em amor pelos irmãos, buscando a edificação da Igreja. Os dons que mais edificam a Igreja devem ser preferidos. Quem profetiza tem mais honra do que o que fala em línguas, porque edifica, consola e exorta os irmãos. Os outros dons não devem ser proibidos, mas só podem ser exercidos na Igreja se edificarem, se forem exercidos de modo que todos sejam edificados. Se na Igreja alguém exercer um dom espiritual de modo que seja edificado somente aquele que está exercendo o dom, esta pessoa deve ser proibida de exercer este dom diante da Igreja.
Creio que a musicalidade é um talento natural, mas que o exercício da música na adoração que tem a capacidade de transmitir verdades eternas é um dom espiritual. Todos nascem com talentos naturais que foram dados por Deus para que exercêssemos nossa vocação dentro da criação, dominando a criação como Deus nos ordenou em Gênesis. Os músicos crentes e descrentes receberam este talento natural quando nasceram, tendo sido alvo da graça de Deus que atinge todos os homens, justos e injustos. Somente os crentes, no dia da conversão, recebem dons espirituais a serem exercidos dentro da Igreja de Cristo, para edificação da Igreja. Os músicos cristãos recebem a extraordinária capacidade de aplicar o seu talento natural na obra de Deus, para ensinar verdades eternas dentro da Igreja através da música. Este dom espiritual de edificar através da música deve ser exercido na obediência dos mandamentos “segui o amor” e “procurai os melhores dons”.
Os que se valem da música na Igreja não devem pensar primeiro na sua edificação, mas na edificação dos irmãos. Devem escolher músicas que possam edificar os irmãos, devem se apresentar de modo que os irmãos sejam edificados e não ele próprio seja honrado. O músico deve procurar a melhor forma de expressar sua música de modo que todos possam aprender algo novo, possam ter suas emoções aquietadas e sua vida cristã encorajada.